A DONA SABIÁ




Ontem eu estava conversando com meu sobrinho na sacada aqui de casa, quando a minha amiga Sabiá pousou num galho do abacateiro e começou a entoar um belo canto. Não tinha medo pela nossa presença e continuou seu mavioso chamado por longo tempo.
Deduzi que ela chamava os filhotões e o marido para o banquete dos mamões que estavam ali na sacada.
Mas eles não vieram.
Aliás, eles devem ter trocado os mamões por outros frutos de árvores nativas e que existem em penca pelas redondezas, porque ao fim da tarde os pedaços das frutas estão apresentando poucas bicadas, ao contrário de alguns dias atrás, em que devoravam até as cascas.
Onde andam os filhotões? Como os nossos filhos, estão descobrindo o mundo lá fora e já não obedecem aos chamados da Mamãe Sabiá.
Então, ela voou e se perdeu no horizonte.
À tardinha, percebi o marido de Dona Sabiá, bem nutrido e bonito, pousando na sacada para beliscar os mamões que ainda estavam no mesmo lugar.
Mas, ele estava só, provavelmente porque Mamãe Sabiá estava longe, voando à procura dos filhotões que com tanto carinho ela criou com os mamões que continuo a colocar na sacada aqui de casa... quem sabe ela consiga trazê-los de volta, ao antigo ninho? Eu ficaria feliz, muito feliz por ela.

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