LUSTRO INÚTIL




Ao assistir uma entrevista de Médicos na TV, gostei do que disse um Neurologista sobre prevenção da Doença de Alzheimer. Pena que eu não prestara atenção ao seu nome e o articulista não voltou a mencionar, porque os entrevistados eram 4.
Na verdade, pelo fato de eu haver trabalhado com a implantação de Programa de Assistência ao Idoso na Previdência Social entre os anos de 1972 a 1975, aprendi muito sobre envelhecimento e de como lidar com vários problemas que acometem a Terceira Idade.
Quando me aposentei, por tempo de serviço, nos primeiros tempos fiquei curtindo minha casa, minha filha adolescente e filmes alugados. Além disso, cuidava do meu marido doente.
Mas fui notando que pouco a pouco ia ficando cada vez mais esquecida e perdera o hábito de escrever como fiz toda vida. Não escrevia literatura, mas os Casos Sociais da clientela que eu atendia e que abrangia um universo imenso de problemas sociais e de saúde.
Então, percebi que ia ficando lerda para as coisas, os dedos mais duros. Levei um susto.
Então, voltei a desenhar, pintar e escrever sobre o que via a minha volta, na substituição dos relatórios de Casos Individuais do Serviço Social.
Os anos foram passando, retornei à Poesia que havia deixado na adolescência e inventei amores. Voltei ao Piano e cantei em Corais.
Os resultados foram surpreendentes, hoje, em plena maturidade, estou lúcida, vivo só e administro bem a minha casa e demais atividades do cotidiano e o meu cérebro está sempre atento a detalhes.
Às vezes sou ranzinza com aquilo que não me agrada, mas isto é apenas fruto da minha necessidade de pensar e avaliar as coisas que me cercam e até programas de TV.
A velhice traz algo que considero importante, já não damos bola para o que os outros vão pensar sobre nós, ficamos transparentes como os cristais... O que pensamos, dizemos.
Os elegantes, os educados e os chatos podem achar que somos mal-educados. Que pensem assim.
Mas, que alívio ver-nos livres de tudo que nos atravanca, especialmente aquilo que bloqueia nossos pensamentos mais genuínos.
Somos o que somos, o resto é um lustro que precisa constantemente ser escovado e que na velhice se torna inútil...

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